Serra da Capivara

ICMBIO atrasa pagamento e funcionários da Serra da Capivara entram em desespero

Áudios mostram que órgão atrasou repasse para empresa responsável pelos terceirizados na unidade de conservação

28/01/2020 11h13Atualizado há 4 semanas
Por: Weslley Moreira, da Redação
Fonte: Por André Pessoa - Especial para o Portal SRN
Imagem reprodução
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Nos últimos meses a gestão do Parque Nacional Serra da Capivara, na região de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), entrou numa espécie de colapso administrativo. A chefe da unidade de conservação federal se envolveu numa polêmica referente a uma carga de madeira apreendida pela PRF e doada pela SEMAR para a Prefeitura do município, e mais recentemente, ela foi destaque na imprensa do Piauí com um caso de uma suposta tentativa de assalto na BR-020.
 
Indicada ao cargo pelo deputado federal José Francisco Paes Landim (sem partido), a arqueóloga Marian Rodrigues não consegue pacificar sua gestão. Agora o problema é na gerencia do Parque Nacional. Os salários dos funcionários (na maior parte mulheres), que ocupam as guaritas de acesso turístico e de serviços, além dos vigilantes, estão com salários atrasados e, para piorar, alguns prédios da reserva ambiental tiveram a energia cortada.
 
Aparentemente alheia a todo esse caos, e ocupando um cargo em comissão no Governo Federal, a chefe do parque prefere prestar serviços ao Governo do Piauí. Na semana passada ao invés de correr atrás do pagamento dos funcionários do parque, Marian utilizou um veículo oficial do ICMBio, com motorista pago pelo órgão para ir "procurar um terreno” para a chamada Vila Turística, um empreendimento privado que conta com o apoio do Governo do Piauí.
 
No mês de dezembro passado, de férias, Marian Rodrigues foi fotografada numa reunião na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, junto com o seu marido, tratando de uma iniciativa da ONG Instituto Olho D'água, criada por ela e administrada atualmente pelo seu cônjuge, Jorlam Oliveira. Para ela não existe conflito de interesses.
 
Em dezembro passado a chefe protagonizou outra polêmica, dessa vez com os condutores de visitantes do parque. Uma decisão sua permitiu que turistas acessem o circuito turístico do Boqueirão da Pedra Furada sem a necessidade de um condutor de visitantes devidamente credenciado. Ao contrário, ela deslocou funcionários do projeto sazonal Prev-Fogo para acompanhar os visitantes em dois lugares: o monumento da Pedra Furada e a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, conhecido como BPF, um dos lugares mais importantes para a pré-história americana.
 
Questionada pelos condutores se o caso não se caracterizava como desvio de função, ela respondeu que não: "O contrato deles é bem amplo e permite essa atividade”, teria dito aos guias na época. Com a grande polêmica causada nos grupos dos profissionais, Marian fez uma reunião de emergência com os condutores e disse se tratar de uma ação pontual, específica e apenas um teste. “Vamos analisar se funciona”, novamente teria dito para acalmar os condutores contrariados com a possibilidade de perde suas atividades de freelancer.
 
Hoje centenas de condutores da região são cadastrados pelo ICMBio e se mantem sustentando suas famílias com os valores cobrados dos turistas nas visitas ao parque. Com a decisão da Marian tomada sem ouvir os condutores, alguns com mais de 30 anos de serviços prestados ao parque, o clima entre a gerência do parque e os condutores azeitou. Na Serra da Capivara a presença de um condutor de visitante é obrigatória, já que o parque não pode correr nenhum risco em função da importância e fragilidade do seu patrimônio cultural.
 
Denuncias também dão conta que a atual gestão do parque vem sistematicamente indicando o seu marido Jorlam Oliveira como condutor de visitantes. “Basta alguma emissora de televisão ou turista ligar no escritório do parque na cidade de São Raimundo para que se indique o Jorlam, ou o seu irmão também condutor Luciano Rodrigues, ou ainda familiares da chefe que moram em Coronel José Dias", desabafa um dos guias que pede para não citar o seu nome com medo de represálias. Aparentemente, para Marian Rodrigues, outra vez não existe conflito de interesses.
 
Para entender melhor o caso ouça os áudios que a nossa reportagem teve acesso. O protagonista é um assessor da empresa responsável pela contratação dos funcionários terceirizados no Parque Nacional Serra da Capivara. Desde a semana passada que a nossa reportagem tenta um posicionamento oficial do ICMBio sem sucesso. O espaço permanece aberto para os esclarecimentos.
 

São Raimundo Nonato - PI
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