São Raimundo Nonato

Sem professores, novas turmas da UESPI podem ser prejudicadas no interior do Piauí

Campus tem 12 docentes em exercício quando mínimo aceitável é de 20 professores

27/01/2020 14h35Atualizado há 4 semanas
Por: Weslley Moreira, da Redação
Fonte: Por Edjalma Borges, especial para o Portal SRN
Alunos da Uespi, campus São Raimundo Nonato, recepcionam governador Wellington Dias com protesto no aeroporto da cidade (Foto: Cedida)
Alunos da Uespi, campus São Raimundo Nonato, recepcionam governador Wellington Dias com protesto no aeroporto da cidade (Foto: Cedida)
Brasília (DF) - Vencida a luta para conseguir uma vaga no ensino superior, estudantes que optarem para ingressar na Universidade Estadual do Piauí (UESPI), em São Raimundo Nonato, a 536 km de Teresina, poderão ter seus objetivos frustrados, pois a instituição não tem professores para atender a demanda.
 
Com aproximadamente 400 alunos no final do ano passado, a Uespi em São Raimundo Nonato há anos vem sendo sucateada. De acordo com ofício encaminhado pela instituição ao governo do estado em novembro, o problema se dá "principalmente com a escassez de professores, o que compromete 66 componentes curriculares sem cursar desde 2018 a novembro de 2019”.
 
Com um quadro de 15 professores, três afastados para doutorado, universidade necessita de, no mínimo, 20 docentes. A ausência de professores, alertou o ofício ao governador do estado Wellington Dias (PT), tem como consequência a não autorização para oferta de novas turmas para os cursos de licenciatura plena em Pedagogia e licenciatura plena em Geografia.
 
“O curso de Geografia irá iniciar o semestre 2020 sem nenhum professor, nem efetivo, nem substituto.  Este mesmo curso está há dois anos sem ofertar turma, devido a insegurança de receber alunos e estes não terem sequer um professor. Os alunos que já ingressaram no curso estão desmotivados e tensos, pois não vêm nenhuma movimentação do governo para garantir que eles terminem seus estudos, uma vez que eles têm direito. O curso de Geografia conta, atualmente, com quase 100 disciplinas sem cursar, os alunos que já entraram no curso não conseguirão se formar nem em quatro, nem em cinco anos”, explicou a diretora da Uespi em São Raimundo Nonato, Marla Ariane Almeida Silva. 

 Universidades Estadual do Piauí, campus Professor Ariston Dias Lima, São Raimundo Nonato, Piauí (Foto: Cedida)
 
Diante da inércia do Governo do Piauí em contratar professores e realizar concurso público, a direção do campus em São Raimundo Nonato acionou o Ministério Público e a Defensoria Pública a fim de pressionar as autoridades sobre a situação da instituição, que, além da falta de docentes, não dispõe de instalações específicas como auditório e biblioteca, o que compromete as obrigações de uma instituição de ensino superior.
 
Segundo a direção do campus, o curso de Pedagogia, por exemplo, conta com três professores, dois efetivos e um temporário. Apesar de ter mais professores do que o curso de Geografia, por ter mais disciplinas, este já contabiliza cerca de 60 disciplinas sem cursar por ausência de professores.
 
“Um agravante é que nenhum aluno da Uespi de São Raimundo Nonato se forma atualmente, pois todos estão com as disciplinas pedagógicas sem cursar, pois, se trata de cursos de formação de professores, ou seja, licenciaturas”, alerta a diretora.
Embora tenham sido abertas 30 vagas para Ciências Biológicas e 40 para licenciatura em História por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o ano letivo de 2020, na UESPI, poderá ser comprometido pela ausência de professores na disciplina de Pedagogia, que fornece docentes para todos os outros cursos.
 
Ainda de acordo com a direção da Uespi em São Raimundo Nonato, o curso de Geografia não tem condição de receber alunos, gerando um ônus na região de 70 vagas não ofertadas no ensino superior.
 
Em nota oficial, publicada na terça-feira (22), o Sindicato dos Docentes da Uespi (ADCESP) informa que o Governo do Piauí não está cumprindo uma decisão do Tribunal de Justiça (TJ-PI), expedida em 2019, que determina a nomeação dos professores aprovados no último concurso público para o quadro efetivo da Universidade. 
 
De acordo com o sindicato, mais de 20 mil estudantes estão sendo prejudicados por falta de professores em quase 600 disciplinas na Uespi.
 
"O Governo protela nossa nomeação, enquanto a Uespi está nesse sucateamento, principalmente com relação a necessidade do corpo docente”, diz a nota do ADCESP.
 
O que diz o governo
Em resposta às constantes tentativas da Uespi para que seja realizado concurso (provisório e efetivo), em 2019, o governo alegou que estava no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Para este ano, o governo acenou para a possibilidade de concurso público. Em visita a São Raimundo Nonato no dia 16 de janeiro, abordado por um professor da Uespi, o governador Wellington Dias falou que “o quadro não é animador”.
 
Corte orçamentário
Deputados estaduais que fazem oposição só governo Wellington Dias, afirmam que a Uespi teve redução orçamentária para 2020. A diminuição apontada pelos oposicionistas é de 5,91% em relação ao orçamento de 2019. O Governo do Piauí contesta a informação e diz que houve aumento de verba.
 
O deputado Gustavo Neiva (PSB), em entrevista ao site Política Dinâmica, pontou que o orçamento global da Uespi foi reduzido e afirmou que o governador tenta “ludibriar a opinião pública para não admitir a redução orçamentária”. 
 
Segundo ele, a instituição tem quatro fontes de receita: 1- Tesouro Estadual, 2 – operações de créditos, 3 – recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop) e 4 – recursos de convênios. A soma dessas fontes chegou ao montante, em 2019, de R$ 271.672. 547 milhões, sendo a maior parte oriunda de recursos próprios do Tesouro Estadual.
 
No orçamento de 2020, houve aumento com relação aos recursos próprios Tesouro e do Fecop, mas caiu os recursos para investimentos frutos de operações de crédito. Com isso, embora tenha havido elevação de fontes, a redução da verba para investimentos fez com que a soma geral do orçamento ficasse em R$ 255.602.120, ou seja, R$ 16 milhões a menos que em 2019, redução de quase 6%.
 
O deputado Franzé Silva (PT), aliado do governador, admitiu que, de fato, houve redução na fonte relativa às operações de crédito. Ele alegou que o recurso oriundo de empréstimos foi judicializado pela oposição e o que chegou a ser destinado não foi sequer executado. Por isso, a gestão estadual não considera que o orçamento de 2020 seja menor.
 
A oposição rebateu e confirma que judicializou, mas que depois o governo acabou recebendo todo o dinheiro dos empréstimos. A oposição avalia que, se não houver execução, foi por incompetência do governo.
 
Futuro incerto
A estudante Açucena dos Santos Vilanova, 2º período do curso de Licenciatura em História, lembra que no 1° período ficou sem cursar uma disciplina devido à falta de professores.  “No 3° período ficaremos sem cursar duas disciplinas pedagógicas por causa da falta de professores na área da Pedagogia”, conta.  
 
A situação se repete para o estudante Vinícius Britto, 5º semestre de História. "A falta de professores no curso de Pedagogia acaba nos prejudicando, pois como o curso é de licenciatura há várias disciplinas pedagógicas a serem pagas”, alerta.

 

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